sexta-feira, 25 de maio de 2007


Menino, olha o mar.

Corre menino, escuta o barulho do mar
Vai ver quem chegou e corre pra vir me contar
Das ondas, desperta e sente o cheiro do sal
Que o sol já queimou e preciso entrar

Da janela vejo que o vento não quis cessar
E que a tempestade ameaça chegar
Vem aqui, me fala das coisas da vida
De como é o adeus no momento da ida

Do choro que cai pedindo:
-Não vá.
E das promessas:
-Um dia voltar.

Corre, corre, olha os barcos partindo
Conta-me quem vai na embarcação
Se é rico ou pobre, herói ou bandido
E a cor da camisa. E os pés, vão no chão?
Se vão, olha a cor. Estão maltratados?
Se não, há correntes com brilho engastado?
Ou são mesmo pés em busca do pão?

Menino, e as ruas, têm animação?
É Nossa Senhora ou é folião?
A banda tocando, o povo gritando
Parece que a vida é só diversão
Ou será só bagunça nos bancos da praça
De um povo ausente sem olhos na alma?

Precisam de vidros para contemplar
Que tudo ao alcance passa sem notar
Mas deixa menino, que do cheiro eu sei
Da forma, textura, do simples tocar
Agora eu te conto de como viver
E se apaixonar mesmo sem avistar

Eu vejo com a alma e sinto com as mãos
É bem mais profunda minha intuição
Enquanto os homens não sabem viver
Fechando os olhos que podem usar
Eu uso os sentidos e abro o coração
Contemplo a vida mesmo sem enxergar.


Ana Cláudia Andrade

em: 25/05/07


2 comentários:

Anônimo disse...

Não conhecia esse teu lado poeta... Amei!!!
Beijosss!!

Anônimo disse...

poxa.... escreves bem demais...cabuloso!
lindo fia... bom texto...