Hoje ouvi, na TV, quando alguém falou: “Pra ser uma repórter, hoje em dia, só é preciso ter bunda e peito grande”. Primeiro fiquei atenta, pois dali poderia sair alguma dica interessante, embora eu não soubesse quem estava falando, mas quando ouvi o desfecho, quase caí pra trás. Primeiro que não tenho tais atributos (pelo menos não como os das dançarinas do É o Tchan), e se tivesse, não teria a menor pretensão de usá-los na minha profissão (nem sei onde eles entrariam) e segundo, que desde quando peito e bunda rendem uma boa matéria? Na hora ri, mas depois fiquei pensando, que da forma que o mundo vai, daqui pro ano 2010, as entrevistas para vagas em jornais, serão pautadas pela aparência e a forma como a mulher rebola, e não mais pelo conhecimento que tem em várias áreas e pela fluência em outras línguas. Logo me imaginei e entrei em pânico, sem saber rebolar, mexer o quadril e botar o dedinho na boca, para agradar o chefe da redação, ou até mesmo fazer a dança da bundinha, para encher de orgulho o dono do jornal. E o que dizer de uma provável dança do streap-tease para ganhar audiência? Então corri pra frente da TV para ver as repórteres e apresentadoras de jornal, como elas se comportavam e se já havia algum rastro dessa moderna forma de se fazer notícia. Primeiro vi uma apresentadora em um desses programas da tarde. Chamou-me a atenção a sua forma de falar, sempre rindo, como uma doente mental (que me desculpem os doentes mentais). Pensei: “do que ela ri tanto?” e depois cheguei à conclusão de que rir é a única forma que ela tem de expressar suas fraquezas interiores. É uma pessoa difícil de se dar credibilidade, quando se sabe que mostrar tristezas humanas, é a forma mais vil de se entrar na guerra pela audiência. Cansei daquele programa. Fui para outro canal. Vejam só, uma ex BBB (vocês sabem do que se trata a sigla), falando errado e se exibindo com um microfone. Caramba, lá na faculdade, a gente tira nota baixa por que escreve errado, tem medo de fazer passagem e falar besteira, e a ex BBB, sem nenhuma preocupação, falando a clássica pérola “pobrema”? Quase chorei! Sem falar em uma ex-miss, querendo passar imagem de comentarista de futebol, deixando-nos perceber claramente que todos os seus comentários são monitorados por um diretor, que lhe dá todas as informações por um ponto. Isso é atestado de burrice! O ponto auxilia, mas no caso dela, serve de muletas, para uma deficiência, não física, mas de formação profissional. Aliás, o que tem de bonito na profissão de jornalista, que agora todo mundo quer ser? Eu sei o que tem de bonito; o serviço que presta à sociedade, a capacidade e possibilidade que tem de passear por todas as áreas e falar sobre vários assuntos, dentre outras belezas. Mas rostinho bonito ter importância? Sair na Playboy? Ser capa da Sexy? Ou quem sabe entrar na novela das oito? Precisa “aturar” durante quatro anos política, economia, arte e tudo que o curso oferece, para um dia usar a influência de um passado de Reality Show ou qualquer coisa que faça sucesso no Brasil? Não tenho nada contra, pois estudando tanto quanto pessoas que realmente gostam de Jornalismo, tem o mesmo direito de trabalhar, e tem o meu apoio. Mas por favor, o mínimo de dignidade de honrar o meio de comunicação e o telespectador, fazer as coisas com seriedade, preocupar-se com a formação profissional. Depois de todas as minhas análises pensei, pensei, fui até a cozinha, abri um iogurte e cheguei à conclusão de que 2010 já havia chegado. Nada muito óbvio, mas uma mistura de *sacanagem intelectual e “dedinho na boca” só para entrar em horário nobre. Será que eu ainda consigo emprego?
*sacanagem intelectual: imoralidade , safadeza, que é intrínseco ao pensamento que se comporta diferente da ação do corpo. É como se a pessoa tentasse fazer o certo, mas com o intuito de obter êxito, não naquilo que faz, mas no que está por trás de sua intenção ao fazê-lo.
P.S: caso não tenha entendido, foi mal, a definição foi minha, mas nem eu mesma entendi direito.
*sacanagem intelectual: imoralidade , safadeza, que é intrínseco ao pensamento que se comporta diferente da ação do corpo. É como se a pessoa tentasse fazer o certo, mas com o intuito de obter êxito, não naquilo que faz, mas no que está por trás de sua intenção ao fazê-lo.
P.S: caso não tenha entendido, foi mal, a definição foi minha, mas nem eu mesma entendi direito.
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