
Parecia cinema. O escuro aqui, e a vida passando lá fora. Mas à minha frente, o sorriso insinuante e o olhar pretensioso. Já tinha cansado da situação. Mas que nada! Todos os dias era um agrado. Flor, esmalte, batom. E um convite para o rala coxa. Ia à noite, com a saia vermelha. Cada rodada era um carrossel. A cada brilho e balanço, ele lançava um olhar. Aquele, penetrante. Ma carregava e nós dançávamos. E vinha aquele cheiro de desodorante barato misturado com cigarro. A unha pintada e o cabelo grande. Ele tinha tudo que eu não gostava. Mas eu o queria. E o beijava e deixava ser levada.
- Vadia! Por que tu vens?
- Porque te quero.
-Cala a boca.
Era dia. Do lado não estava mais. Só a flor. Aquela vermelha com cheiro ativo, que vinha com um bilhete cheio de erros de português. A lembrança do sorriso safado, a blusa de seda, cabelo molhado, lábios carnudos, pernas no mundo e aliança na mão esquerda. E as falsas promessas e os presentes baratos. Meu Deus, por que gosto dele, se tudo nele é detestável?
Mas ele me puxa e perco a noção. A vida é errada, mas hoje é sábado. E mais tarde tem mais rala coxa e as falsas promessas dele.
22/12/06
- Vadia! Por que tu vens?
- Porque te quero.
-Cala a boca.
Era dia. Do lado não estava mais. Só a flor. Aquela vermelha com cheiro ativo, que vinha com um bilhete cheio de erros de português. A lembrança do sorriso safado, a blusa de seda, cabelo molhado, lábios carnudos, pernas no mundo e aliança na mão esquerda. E as falsas promessas e os presentes baratos. Meu Deus, por que gosto dele, se tudo nele é detestável?
Mas ele me puxa e perco a noção. A vida é errada, mas hoje é sábado. E mais tarde tem mais rala coxa e as falsas promessas dele.
22/12/06
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